A gruta é mais extensa do que a gruta

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    quinta-feira, dezembro 18, 2008

    No dia e hora de uma coisa sem a menor importância (era a final de um campeonato de futebol), algo muito mais legal acontecia na sala BNDES da Cinemateca de São Paulo: a sessão com curadoria de Carlos Reichenbach que terminava com "Nas Duas Almas" (antecedido de trabalhos de Daniel Chaia, Inácio Araújo, do Carlão e de João Callegaro). Fico muito feliz ao me dar conta de que, a cada vez que vejo o vídeo do Vebis, ele me agrada mais. E como ele avisou nos comentários do texto anterior, Daniel Caetano escreveu sobre ele (segue um trecho): "Os atores são ótimos, a montagem tem movimento, as situações são boas e, sobretudo, Nas Duas Almas apresenta personagens de verdade mesmo: com aquelas figuras totalmente rockabillies, ele transparece um clima gostoso de cotidiano, de carinho por todas aquelas coisas que mostra. Por aí já dá pra entender por que o Inácio o comparou com o Sol Alaranjado, mas o filme do Vébis tem uma certa nonchalance, um jeito relax de ser, tem um humor sem melancolia, meio gozador mesmo: aqueles personagens são estranhos, mas são gente como a gente, oras." É muito bom ver o curta ser apreciado por quem entende do riscado e não está elogiando porque é amigo do diretor. E mesmo que não fosse um comentário positivo, esse feedback é essencial para repensarmos sempre nossos trabalhos.


    ***


    A obra-prima da vez é "This Sporting Life", de Lindsay Anderson (mais conhecido por "If...", do qual tenho ótimas lembranças, mas me parece menor do que este). Richard Harris, em um de seus primeiros fimes, como o durão jogador de rúgbi Frank Machin, está brilhante, numa atuação digna de um Brando; sua co-estrela Rachel Roberts também está ótima. A história, contada de maneira fragmentada, com muitos flashbacks e flashforwards (estilo que ainda hoje é considerado moderno e ousado), atinge picos de emoção em várias cenas, mas o filme passa longe do dramalhão. Uma gema do cinema inglês que merecia ser mais reverenciada, inclusive por este texto (não ter tempo para escrever comentários que prestem é uma pena).


    Outro dos melhores filmes desta leva também é feito na Inglaterra: "Bunny Lake Is Missing", de Preminger, não segue à risca o romance que adapta e combina preto-e-branco, cinemascope e planos longos com muita movimentação de câmera. A idéia foi reaproveitada de certa forma em pelo menos um filme, com a Jodie Foster, que ainda não vi. Olivier abre os créditos, mas a protagonista é mesmo Carol Lynley, ótima _Keir Dullea (mais famoso por seu papel em "2001: Uma Odisséia no Espaço") e Martita Hunt também se destacam, mas quem rouba todas as cenas em que aparece é Noel Coward, com uma personagem impagável, mas que não tem importância alguma para a história! Também não entendi o destaque dados aos Zombies, já que a banda aparece (até demais, é bem artificial) apenas pela TV em um pub e depois na trilha sonora.


    Bem aquém destes estão alguns filmes de terror que reúnem grande elenco, tendo à frente Vincent Price. O primeiro é bom: "Tales of Terror", dirigido por Corman, traz três histórias baseadas em contos de Edgar Allan Poe (o próximo livro que lerei em casa _sempre leio outro fora de casa_ é justamente suas obras completas) num belo cinemascope colorido. É despretensioso, leve, bem-feito (com muitos efeitos criativos) e muito gostoso de assistir. Há um ótimo momento, o hilário duelo de degustação de vinhos entre Price (engraçadíssimo) e Peter Lorre. Também aparecem Basil Rathbone e Debra Paget (em seu penúltimo filme). O outro, "The Comedy of Terrors" , penúltimo filme do grande Jacques Tourneur (literalmente em fim de carreira), volta com Vincent Price, Peter Lorre e Basil Rathbone, com a adição de Boris Karloff e das beldades Joyce Jameson e Beverly Powers _assinando com o grande nome Beverly Hills_, além do gato Rhubarb. Mas o filme não é engraçado nem assusta _ou melhor, deslumbra. O terceiro filme de terror visto é de outra cepa (e também minha única visita ao Japão neste texto): "Kaidan", que Kobayashi fez entre seus dois filmes mais conhecidos, traz quatro histórias de espíritos. As duas primeiras são as mais simples e previsíveis (por terem sido muito imitadas?). A terceira, a mais longa, também tem ritmo lento como as antecedentes, mas é a mais grandiosa (a cena da batalha naval é fantástica). A última é a mais curta e enigmática. Todas adequadamente jogam o naturalismo para as cucuias, com aquele cuidado típico das grandes produções japonesas. Keiko Kishi (a mulher da neve) e Michiyo Aratama (a primeira esposa da primeira história) são os destaques do elenco, que também tem Tatsuya Nakadai e Takashi Shimura. Um grande filme, mas bem longe da maravilha que foi o anterior "Seppuku" (que disputa com "Meninos de Tóquio" o posto de melhor filme japonês em minha ronin opinião).


    Faroestes também pintaram por aqui: o melhor é "Invitation to a Gunfighter", um dos últimos dos menos de dez filmes dirigidos por Richard Wilson (que foi assistente de Orson Welles). De baixo orçamento, é do meu subgênero predileto, desses sem índios nem cavalaria, mas enfocando injustiças em uma pequena cidade. Yul Brynner (talvez em seu melhor papel? Nunca fui muito com a careca dele) e George Segal estão ótimos, mas quem se destaca é Janice Rule _Pat Hingle também faz um bom vilão. Cenas surpreendentes não faltam, assim como boas falas. O final não deixa de ser ótimo, mesmo sendo folhetinesco e um tanto convencional. Também encarei o "Cheyenne Autumn", cujo nome no Brasil, "Crepúsculo de uma Raça", fiquei sabendo graças ao Ailton. É o antepenúltimo filme de Ford, feito após o pândego "Donovan's Reef", e uma longa superprodução em 70mm com direito a "overture", "intermission" e "entr'acte". Aqueles planos abertos maravilhosos não são o suficiente para fazer deste um dos maiores do diretor, mas ainda assim é um grande filme, com um elenco estelar e um posicionamento simpático aos índios e crítico à obediência cega dos militares. Quando Richard Widmark começa a narrar o filme, a voz lembra demais John Wayne. Há uma seqüência bem-humorada e estranha na qual James Stewart interpreta um Wyatt Earp cômico, muitíssimo diferente do clássico e trágico Earp de Henry Fonda. "Minnesota Clay", se não me engano, é dos primeiros spaghetti de Corbucci, que já tinha dirigido uns 20 filmes (pepluns de Maciste e outros). Cameron Mitchell interpreta um pré-Django _mas em vez das mãos arrebentadas, o drama de Clay é a perda da visão _suas subjetivas com trucagens são uma delícia. Mas não é apenas isso que fazem deste filme uma diversão garantida para fãs do gênero. E Ethel Rojo é um destaque como a interesseira Estella. E aqui no Brasil, creio que podemos considerar um western "A Hora e a Vez de Augusto Matraga". Segundo filme de Roberto Santos, obviamente ambicioso ao adaptar o último e possivelmente o melhor conto de "Sagarana" (li há tanto tempo...). Leonardo Villar é absolutamente brilhante, e Joffre Soares também segura a peteca, assim como Flavio Migliaccio. A religiosidade estranha de Matraga é muito bem trabalhada, e há planos curiosos, como aquele em que ele olha uma mulher passando e, em vez de fazer um comentário mais comum ele manda: "Todos os anjos do céu tinham de ser mulher"; em outro plano, ele se dirige ao "capeta", mas olha para o céu! Santos filma bem cenas de ação e experimenta com subjetivas e outros posicionamentos de câmera inusitados. Tomara que seja restaurado _a cópia que vi, gravada do Canal Brasil, não estava nada boa.

    Outro dos melhores filmes da vez veio de um diretor que sempre acho interessante: Pasolini "Gaviões e passarinhos", que começa em um tom de comédia (com os créditos cantados) que nem sempre se manterá, une Totò em um de seus últimos filmes e Ninetto Davoli praticamente estreando (assim como a vestal Femi Benussi, que teria uma carreira farta em comédias eróticas e gialli). Não há propriamente uma história, mas uma série de referências a outros filmes do diretor, formando um painel bastante abrangente de suas obsessões. As cenas dos frades evangelizando os pássaros são fantásticas. Mesmo sem concordar com todas as idéias de Pasolini e sem me entusiasmar por todos os seus filmes, tenho por ele um respeito imenso: era um verdadeiro artista, corajoso e honesto. Falando em "viadage" (para irritar o Veloso e o Bento XVI), dá para dizer que "My Hustler" é um dos filmes menos chatos de Andy Warhol? Com pouco mais de uma hora, é composto por duas seqüências (estou me despedindo do trema) feitas de planos muito longos, de 15 minutos ou mais: a primeira, a melhor, traz a câmera girando sobre seu próprio eixo e enfocando um michê loiro na praia, enquanto, na casa de uma bicha ricaça e escrota, ela, uma amiga e outro michê disputam para ver quem vai ficar com o loiro, a quem observam; na segunda, os mesmos personagens dialogam num banheiro, e os três supracitados tentam convencer o loiro a ficar com eles. Não sei se o diálogo foi improvisado, mas é ótimo; os atores, aparentemente não-profissionais, estão todos muito bem.

    Outro destaque é novamente Godard, desta vez com "Masculin féminin: 15 faits précis". Feito logo após "Pierrot Le Fou", também escancara bastante o posicionamento político do diretor e é saturado de informação, ao mesmo tempo em que mantém acesa a chama da cinefilia, o bom humor, o erotismo e a ironia. Chantal Goya ilumina a tela com sua beleza e suas canções alegres, e Jean-Pierre Léaud traz seu carisma habitual de garoto abobalhado e pretensioso, esta figura tão comum e universal. Outro clássico, mas não tão bom, é "Um Dia, um Gato", do tcheco Jasny, é uma dessas fantasias infantis malucas e belas que acabam se tornando clássicos. Um gato mágico, quando tira seus óculos, faz as pessoas ficarem coloridas de acordo com suas personalidades ou estados de espírito: obviamente, trata-se de inventivo e caprichado espetáculo visual. Dá para dizer o mesmo do superior "Les Parapluies de Cherbourg": Após "Lola", do qual este não deixa de ser uma continuação (Marc Michel repete seu personagem), Demy retorna com outra história agridoce de amor, no qual não existem vilões (e abundam marinheiros numa cidadezinha). Mas desta vez o filme é em cores, os diálogos estão na forma de canções (música de Michel Legrand, não tem erro), há Catherine Deneuve com 20 aninhos e, novamente, muita grua, muito travelling etc. Demy ainda faria sua obra-prima a seguir: "Les Demoiselles de Rochefort".

    Ainda nos musicais, voltamos a George Sidney em "Bye Bye Birdie", chamado por aqui de "Adeus, Amor": adaptação de um espetáculo da Broadway, satiriza a histeria provocada pelos astros da música (aqui, o alvo é Elvis, com quem, Sidney trabalharia em breve em "Viva Las Vegas _mas ao ver Ed Sullivan e aquelas adolescentes loucas na platéia é impossível não lembrar do estrago que os Beatles fariam um ano depois). O filme praticamente lançou Ann-Margret e Dick Van Dyke (e Janet Leigh não faz feio dançando). As canções são clássicas. E sobrou, para finalizar a seção "ampliando o repertório", "Perdidos no Kalahari", o antepenúltimo filme de Cy Endfield: não empolga muito no início, mas, à medida em que a tensão entre as personagens, vítimas de um pouso forçado (após uma impressionante cena de vôo por entre uma nuvem de gafanhotos) em pleno deserto sul-africano cresce, o filme cresce junto _graças ao instinto de sobrevivência exacerbado da personagem de Stuart Whitman, que infelizmente parece ter razão ao afirmar que a maioria das pessoas é como ele. A beleza e sensualidade de Susannah York também ajuda. O final é bastante cruel e violento, como a natureza. Oscar de melhor ator coadjuvante para o babuíno.

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    De novo, volto à década atual. Acabei de ver um dos filmes mais badalados do ano, "WALL-E", de Andrew Stanton, projeto esboçado ainda no início dos anos 1990 _prefiro o seu anterior "Procurando Nemo" (gosto bastante de "Robôs", que não é da Pixar, mas este é melhor e muito diferente). Entre as inovações estão o longo tempo sem diálogos e o uso de trechos em "live action" (expressão que acho bem estranha), inclusive com cenas do "Hello, Dolly!" de Gene Kelly. A qualidade da animação é impressionante, especialmente nas cenas que se passam na Terra. O problema do filme é que seu início é de longe a melhor parte _quando EVE aparece, as coisas começam a degringolar, para piorarem bem mais quando WALL-E deixa o planeta. Não é estranho quando um dos melhores trechos do filme é não o seu final, mas os créditos finais? Uma animação bem mais humilde, mas também boa, é "Hoodwinked", chamado por aqui de "Deu a Louca na Chapeuzinho" (título bem anos 80). Eu me pergunto a partir de qual idade as crianças curtem essas animações irônicas que explodiram após o sucesso de "Shrek". Este, o primeiro longa em animação produzido pelos Weinstein, é bem escrito e tem algumas boas personagens, como o esquilinho pilhado e o bode caipira e hippie que tem 1.001 chifres para diferentes ocasiões. E o elenco tem Anne Hathaway, Glenn Close, Chazz Palminteri, Andy Dick, Jim Belushi e o rapper Xzibit. A animação 3-D está longe de ser das melhores _o que não é de estranhar, já que não é uma produção de grande orçamento.

    Outro filme que superou minhas parcas expectativas é "Kiss Kiss Bang Bang", o único filme dirigido por Shane Black, mais conhecido por ser o roteirista da série "Máquina Mortífera". É uma pequena pérola de humor negro ambientada na "freaky" L.A., embora a freqüente quebra da quarta parede encha um pouco o saco, interrompendo. Fazia tempo que um filme não me arrancava tão boas gargalhadas _os diálogos são excelentes. Michelle Monaghan, fantástica, rouba o filme de Robert Downey Jr. e Val Kilmer. Já Jason Reitman, filho de Ivan, começou a ser mais notado como diretor com "Obrigado por Fumar" (depois ele fez "Juno", que deve ter tido mais sucesso e deve ser pior), que também deu uma levantada na carreira do Aaron Eckhart. É mais ácido (mas não muito) do que engraçado (a não ser pelas cenas com Adam Brody e Rob Lowe, ótimos). Tem um grande elenco, mas o conjunto não passa muito de "pouco acima da média" (porque a média é baixa). E também pintou por aqui "Layer Cake", a estréia na direção de Matthew Vaughn, produtor dos dois primeiros longas de Guy Ritche, adaptando um romance. Ele faz um filme sério, sóbrio, sem muita frescura e sem muita grandeza. Diversão bastante esquecível, mas com um bom final. Daniel Craig, ironicamente, antecipa aqui algo de James Bond. É uma pena que Sienna Miller não apareça mais.

    Falando em mulher gostosa, "Matroesjka's" (chamado internacionalmente de "Matrioshki"), é uma série belga de 2005 que foi recomendada pelo Carlão. Não me animei tanto quanto ele _talvez a dublagem em espanhol tenha atrapalhado.

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    P.S. Vale a pena ver a seqüência que gerou a melhor foto de 2008 publicada no Estadão.


    P.P.S. Como os nobres freqüentadores desta bodega já perceberam, coloquei lá em cima a geringonça (minha tradução para "gadget") que permite seguir este blog (já que nunca aprendi a mexer com RSS). Como as atualizações são parcas e esporádicas devido à falta de tempo, pode ser uma boa para as duas ou três pessoas quem têm vontade de acompanhá-las.


    P.P.P.S. Feliz tender com pêssegos e molho de damasco para todos! Passarei a festa no noroeste selvagem, mergulhado numa piscina.

    No texto que vem: "O Que Terá Acontecido a Baby Jane?" e outros filmes.

    terça-feira, outubro 09, 2007

    Conteúdo: "Comédia é, em essência, uma arte raivosa e anti-social." A frase do Robert McKee (interpretado pelo Brian Cox em "Adaptação") me parece um tanto generalizante e radical, mas não incorreta. Parece se encaixar especialmente a "A Volta do Regresso", um filme quase que totalmente calcado na ironia _talvez a ponto de soar terrivelmente desagradável a alguns (estou louco de curiosidade para ver as reações de mais gente, especialmente as negativas; até o momento, parece que quem desgosta mais do filme sou eu, mas sei que isto vai mudar).

    Forma: "PERGUNTA - Você rodou o filme com câmera digital, em lugar de película. Até que ponto isso foi libertador para você?

    LYNCH - A palavra 'livre', se você a escrevesse com L maiúsculo, a fizesse tão alta quanto o Empire State Building e a sublinhasse muito _foi tão libertador assim. É tão belo, e de tantas maneiras diferentes. Depois dessa experiência, eu nunca mais poderei voltar a filmar em película."

    Talvez a película ainda seja, no momento (mas não por muito tempo), o melhor suporte para a exibição de filmes; mas para captação de imagens, não creio _ou seja, fecho com o David Lynch (não me lembro de onde peguei a entrevista, normalmente dou o link, sorry), apesar de ainda não ter visto seu "Inland Empire", que vai passar na Mostra e estrear logo depois. Ter feito "A Volta do Regresso" em 16mm deixou o projeto muito engessado e caro: deixei de fazer mais takes, negando pedidos do elenco, por falta de grana para comprar mais latas, e, também por contingências financeiras, não pude fazer uma truca sequer _os créditos tiveram que ser em cartela, e não sobre imagem, como eu queria (e este é apenas um dos exemplos). Não penso mais em filmar em película, e mesmo o transfer eu espero que esteja com seus dias contados.

    ***

    Estava esperando ver "Tropa de Elite" para atualizar este site. Vi o filme ontem, na promoção de aniversário de 14 anos do Espaço Unibanco (lembro de quando o lugar era Espaço Banco Nacional de Cinema, antes de o mesmo quebrar), justamente em projeção digital; durante o filme em si, não dá para perceber muita diferença na qualidade de imagem _a parte mais estressante foi durante as propagandas.

    Mas vamos ao filme, que deu o que falar por motivos exteriores ao mesmo: ele só virou esta sensação por causa da pirataria (nunca saberemos do impacto da mesma sobre a bilheteria, mas parece que o resultado não será dos piores _provavelmente porque os públicos são mesmo diferentes: talvez a pirataria só alcance a quem não tem acesso ao cinema por questões de localidade e alto preço) e por causa do debate em torno da segurança pública (que o próprio diretor encampa) e da violência _bobagens, bobagens (leiam o grande texto de Carlos Reichenbach chamado "Apontamentos para uma Polêmica Anunciada" aqui). Não é prerrogativa de um diretor de cinema debater o assunto, mas sim a de fazer bons filmes; também é ridículo alguém reclamar do filme porque ele simula atos de tortura e violência com resultados fatais: cinema também é Eros e Thanatos, kiss-kiss-bang-bang, seria desonesto e covarde um filme deste gênero não mostrar alguns litros de tinta vermelha (por sinal, o filme é pudico, nada de putaria saudável nos bailes funk nem na boate de strip).

    O bafafá todo (que inclui piadas com o Capitão Nascimento, como bonequinho que fala "senta o dedo nessa porra!" e frases atribuídas anteriormente ao Chuck Norris _coisa parecida aconteceu com o Zé Pequeno do infinitamente superior "Cidade de Deus") me deixou na expectativa de ver um filmaço, talvez outro marco histórico em nosso cinema recente; infelizmente, "Tropa de Elite" sequer se classifica como um bom filme policial (gênero no qual temos uma bela tradição, os filmes precisam apenas ser recuperados _alguém dizer que este é "o melhor filme nacional que já vi" é atestado do descaso com nossa cinematografia). É prejudicado especialmente pela debilidade das situações dramáticas e pela falta de complexidade de conflitos das personagens; o final, péssimo e pífio, sublinha que nenhuma delas chegou aos limites que poderia ter chegado; o roteiro não tem fôlego, foi pouco ambicioso _prejudicam também as "cabecices" como citação de psicólogo e aulinha sobre Foucault, além de um excesso de didatismo "para inglês ver".

    Mas o famoso e fenomenal Capitão Nascimento é um caso à parte: chamado a torto e a direito de "herói" (até o Luciano Huck clamou por ele quando teve seu Rolex levado por uma dupla de assaltantes numa moto), me pareceu mais um fracote, louco para deixar de subir o morro e ficar trocando fralda de nenê, que só vira "macho" mesmo na hora de rodar a bainana e gritar "quem manda aqui sou eu" com a espoca recém-mamãe em seu apê de classe média. Sei que a comparação é covardia, mas na hora lembrei das personagens de James Cagney em "White Heat", de Charles Bronson em "Machine Gun Kelly" e de Warren Oates em "Bring Me the Head of Alfredo García", que eram "bad motherfuckers", mas tinham seus tocantes momentos de fragilidade; em "Tropa de Elite", o máximo que o Capitão Nascimento de Wagner Moura (que não está mal, a culpa é do roteiro) faz é dar uma travadinha durante uma escalada com a esposa, todo playboyzudo. Em suma: dada a qualidade do material de origem e dos nomes envolvidos no projeto, eu estava esperando bem mais. Mas, para não dizer que só falei dos espinhos, o filme passa rápido e tem senso de humor.

    ***

    Vamos continuar falando de filmes policiais? Na minha quase terminada "peregrinação" (como diz religiosamente o Ailton) pelos anos 40, o gênero aparece bastante, com variações. Um deles, "The Naked City", deu origem a uma série televisiva muito famosa; o diferencial é que a estrela é a cidade de Nova York: a narração da introdução já avisa que, diferentemente do padrão, o filme foi todo feito em locações _e funciona muito bem como documento da vida na metrópole (por outro lado, nenhuma personagem é explorada mais profundamente, embora o típico irlandês Barry Fitzgerald se destaque). Há muitas cenas sem som direto e com narração, o que causa certa estranheza. A seqüência final, o epílogo do filme, é excelente, mostrando o que unia aquele punhado de pessoas que acompanhamos durante 95 minutos, numa cidade de 8 milhões de habitantes. Do mesmo diretor, Jules Dassin (americano, apesar do nome e de ter ficado mais famoso após ir para a Europa, onde trabalhou principalmente na França e na Grécia), com roteiro de Richard Brooks, "Brute Force" é um filme de cadeia (de certa forma precursor do muito superior "Le Trou", do grande Jacques Becker) estrelado por Burt Lancaster e um marcante Hume Cronyn como o policial sádico, com uma estrutura bem interessante, mas hoje bastante envelhecido. A música de Miklós Rózsa é excelente, mas não muito bem usada. Também meio envelhecido (lembrando que um filme não é necessariamente velho porque foi feito há 60 anos) é "Kiss of Death", escrito por Ben Hecht e Charles Lederer e dirigido por Henry Hathaway, cujo destaque é a estréia de Richard Widmark num papel inesquecível, o do psicopata Tommy Udo, que comete um dos assassinatos mais horrorosos e revoltantes que já vi no cinema (retratado com uma sutileza arrebatadora _aqui, substantivo e adjetivo combinam). Uma pena que uma cena de estupro e outra de suicído foram cortadas pela censura.

    No capítulo dedicado a "amores em meio a rajadas de balas", que inspirariam filmes como "Bonnie and Clyde" e "Boxcar Bertha", temos "The Big Steal", de Don Siegel, marcando o reencontro de Robert Mitchum e Jane Greer. O roteiro é um fiapo (justamente o que impede que o filme alcance o nível de um "Out of the Past"); o destaque mesmo está na ação, brilhante e empolgantemente conduzida pelo diretor e encenada pelo elenco. De resto, o título engana _não se trata de um "filme de assalto", mas de perseguição. "Deadly Is the Female", também conhecido como "Gun Crazy", é dirigido por um diretor de quem gosto especialmente, Joseph H. Lewis, mas deixou um pouco a desejar; já tinha visto alguns trechos muito famosos (como o assalto ao banco sem que a câmera saia do carro _o início também é sensacional), o que colaborou com a pequena decepção. E ainda temos "They Live By Night", a estréia de Nicholas Ray como diretor, com um romance bem mais doce do que o do filme do Lewis; não é nenhum "In a Lonely Place", mas também é muito bonito; Cathy O'Donnell está excelente (curioso: a dupla de assassinos de "Festim Diabólico" estrela estes dois filmes: Farley Granger neste e John Dall no de Lewis).

    E já que falamos no Hitch, dois de seus filmes traíram minhas expectativas: por causa do tema (os relativos à moral e à fé me são caros, pela magnitude do conflito), eu achava que "I Confess" seria um grande filme, ainda mais por ser estrelado por Montgomery Clift; não é desprovido de interesse, e talvez o diretor tenha exagerado quando disse que "não deveria ter sido feito" a Truffaut, mas é um filme pouco marcante. De "Stage Fright" eu gostei muito, contrariando o diretor (que via como um de seus problemas a fraqueza dos vilões); a recém-falecida Jane Wyman está ótima (embora o diretor tenha reclamado bastante dela _mas Hitch vivia reclamando de seus elencos), mas é claro que Dietrich (a quem também vi em "The Devil Is a Woman", do Sternberg _mas eu prefiro "Desonrada", que também traz cenas em bailes de Carnaval) rouba todas as cenas em que aparece. E vi um filme de Robert Siodmak que poderia ter sido dirigido por Hitchcock: "Phantom Lady", um filme "Z", baratíssimo, sem atores conhecidos (só reconheci Aurora Miranda e Elisha Cook Jr., excelente como um baterista de jazz mulherengo), deu numa obra-prima, com uma premissa apaixonante. Valeu também por me apresentar a Ella Raines, linda e excelente; infelizmente, sua carreira não decolou. De quebra, revi "Monsieur Verdoux", que pode parecer atípico por vários motivos, mas que me soa bastante coerente com a obra sonora de Chaplin _Welles reclamava que só ganhou o crédito pela idéia (não fica claro se ele escreveu um tratamento do roteiro ou não) após o filme ter sido um fracasso de bilheteria e crítica.

    ***

    Ainda nos anos 40, passei por outra grande comédia de Lubitsch, "To Be or Not To Be": feito no ápice da Segunda Guerra, o diretor (berlinense, que já havia encarado as conseqüências da Primeira Guerra no melodrama "Broken Lullaby", de 1932) ridiculariza Hitler e o nazismo (dois anos depois de Chaplin), numa história que se desenrola em Varsóvia; é impressionante como ele consegue arrancar risadas de uma situação tão tensa _mas, à primeira vista, me pareceu um de seus filmes com menor carga erótica, apesar de Carole Lombard (morta num acidente de avião antes de o filme ser lançado _ou seja, foi o seu último) estar muito bonita (Jack Benny é o responsável por grande parte da comicidade). Do outro lado, ouvi o título do filme ser dito por Olivier em "Hamlet", seu segundo filme como diretor (o primeiro não-americano a ganhar o Oscar de melhor filme). Compreensivelmente, fica refém do texto (embora seja uma versão reduzida, de "apenas" 2h30, e com mudanças sutis para deixá-lo mais moderninho), embora a mise-en-scène (com a câmera em constante movimento e cortes disfarçados, criando uma bela fluidez temporal _bastante condizente com o texto de Shakespeare, aliás; não é à toa que, em "A Volta do Regresso", um dos poucos planos com movimento de câmera ocorre justamente quando Carlo Mossy encarna um híbrido de Rei Lear, Rei Momo e Scarlett O'Hara) contenha muita coisa interessante. Gosto muito da música e da Jean Simmons, adolescente, como Ofélia.

    Outra comédia interessante é "Adam's Rib", de George Cukor: mezzo comédia romântica mezzo drama de tribunal, baseia-se na idéia da igualdade entre os sexos (chamá-lo de feminista me parece inexato), tema que não envelheceu nem um pouco, embora a sociedade tenha mudado bastante nestas últimas décadas. O casal protagonista, Spencer Tracy e Katherine Hepburn, é fabuloso (especialmente nos improvisos cômicos do filme caseiro dentro do filme); o texto é esperto e há uma canção de Cole Porter como cereja do bolo. E há um plano impressionante, longuíssimo, com câmera fixa, totalmente segurado pelo diálogo e por Hepburn e Judy Holliday (que veio do teatro, fez pouco cinema e morreu jovem, de câncer de mama). Cole Porter, em companhia do diretor Vincente Minnelli e do co-coreógrafo e "leading man" Gene Kelly, não está em seus melhores dias em "The Pirate", romance musical ambientado no Caribe. As atenções vão todas para Judy Garland _mesmo ótima, não impediu que o filme tenha sido um fracasso de bilheteria. A montagem é bem estranha, e os cenários têm aquela cara de estúdio... E em "Diário de uma Camareira" de 1964, Burgess Meredith (o Pingüim da série do Batman e o treinador Mickey dos três primeiros "Rocky" _Cesar Romero, o Coringa, está no filme de Sternberg com Dietrich que comentei acima) produz, assina o roteiro e atua sob a direção de Jean Renoir, que adapta uma peça francesa que deu num dos meus filmes preferidos de Luís Buñuel, quase 20 a nos depois. Estrelada por uma Paulette Godard loira (bem diferente do que nos filmes de Chaplin), o filme do francês trabalhando nos EUA é muito mais leve e convencional do que o do espanhol na França.

    No período, também dei atenção a três trabalhos dos fabulosos arqueiros Michael Powell e Emeric Pressburger: "The Red Shoes"cai na revisão, mas ainda emociona ao final e impressiona com a seqüência do balé (quase 20 minutos que demoraram 6 semanas para serem produzidos); a paixão pela arte é sempre um tema que fala comigo. "I Know Where I'm Going!" é o primeiro filme delwa totalmente em preto-e-branco que vejo _curiosamente, dizem que o diretor de fotografia fez o filme inteiro (em estúdio, onde o protagonista de Roger Livesey, substituindo James Mason, filmou o tempo todo, mesmo com grande parte do filme se passando em locações na Escócia) sem usar um fotômetro. A história é tremendamente previsível; o diferencial mesmo é o senso de humor e de liberdade que são característicos de alguns filmes da dupla ("The Red Shoes" parece exceção); há inventividade e criatividade de sobra, como distribuição de vários elementos teoricamente inconciliáveis num mesmo plano, derrubando o naturalismo. E em "The Life and Death of Colonel Blimp", a escocesa Deborah Kerr, em começo de carreira, interpreta três personagens diferentes num épico em cores com quase três horas de duração; mas a estrela é, novamente, Roger Livesey (grande ator, mas que aparentemente só pegava os papéis porque a primeira opção _neste caso, Laurence Olivier_ não podia ou não queria fazê-los), em impressionantes caracterizações (acompanhamos seu personagem por mais de 40 anos). É um filme de esforço de guerra _mas que irritou Churchill, porque a personagem de Anton Wallbrook é um militar alemão simpático; o político teria impedido Olivier de estrelá-lo e tentado banir o filme_, mas ele transcende este aspecto (como fazem outros clássicos do período, como "Os 47 Ronin"). E assim como em "I Know Where I'm Going!", a dupla de cockers spaniels de Powell faz uma ponta... E já que o assunto é guerra, vale encaixar "Sands of Iwo Jima", que eu estava enrolando para ver desde o início do ano, quando os filmes de Clint Eastwood foram lançados; feito no calor dos acontecimentos pelo veterano Allan Dwan (diretor de quase 400 filmes) e estrelado por John Wayne, com a participação do sobrevivente trio de soldados que hasteou a famosa bandeira (que também aparece no filme, emprestada pelo exército _lembra Ford usando as locomotivas reais e histórias em "The Iron Horse"), é obviamente uma patriotada bastante romantizada _inclusive com direito a parzinho romântico (não na guerra, é claro); perde muito por justamente não investir em cenas de combate.

    E, como já é praxe, não poderia deixar de lado os dramas familiares de meu amigo Yasujiro Ozu: fui resgatar "Conto das Folhas Flutuantes", de 1934 (mudo, portanto), que aborda a paternidade, o orgulho e a premente necessidade de ganhar a vida numa sociedade com papéis sociais extremamente definidos _por exemplo, ser ator não é considerado uma atividade "digna". Os enquadramentos são magistrais, mas achei um filme meio frio, comparado a outros do diretor. Já num filme de 1948 que não tem título em português (a tradução seria algo como "Uma Fêmea de Ave ao Vento"), o diferencial (negativo, creio) é a menor sutileza no clímax (que contém a cena mais violenta que vi em seus filmes); curiosamente, o conflito, ditado pela moral, pela política e pela economia (mais uma vez, o diretor fala do universal por meio do particular, praticamente sem ação em externas), é exposto de maneira imensamente sutil. Bom, mas aquém do seu melhor.

    ***

    Misturando a linha do tempo: de 1921, vi "A Carroça Fantasma", de Sjöstrom, um conto moral e sobrenatural (bem à moda da época) que lembra bastante o clássico de Dickens sobre o velho Scrooge, que inspirou o Tio Patinhas. Engraçado que uma das mais famosas cenas da carreira do Kubrick, Nicholson arrebentando uma porta a machadadas para chegar à mulher e ao filho, foi praticamente copiada deste filme, como uma óbvia homenagem. Pulando para os anos 60, outra adaptação literária (que Kubrick filmaria 6 anos depois), mas quase irreconhecível: em "Vinyl", Andy Warhol adapta "Laranja Mecânica" quase que em um plano só, em enquadramentos bem esdrúxulos; o enredo é resumido a quase nada; a trilha sonora é ótima, mas o filme dá um sono...

    Anos 70: curioso que uma sessão do Videobrasil, festival de "arte eletrônica", seja composta justamente de três filmes feitos e projetados (muito mal, com som e foco sofríveis, no superestimado Cinesesc) em 16mm... O primeiro, "Water Wrackets" (1975), é uma picaretagem da grossa: imagens de rios e lagos sob uma narração sobre eventos num futuro distante. O segundo, "Dear Phone" (1977), é o melhor, por ter, pelo menos, senso de humor. O terceiro, "A Walk Through H: The Reincarnation of an Ornithologist (1978)", segue caminho parecido, mas mostra 92 pinturas de Greenaway ("mapas") e imagens de pássaros. Completando a sessão, antes vi, no Sesc Paulista, uma exposição com 92 malas de seu personagem Tulse Luper _esta fixação de Greenaway com o 92 é por ele se tratar do número atômico do urânio, compreensível que o diretor tenha tal preocupação devido à sua geração. Acho que não dou muita sorte com Greenaway, não vi seus filmes mais elogiados...

    Menos chato foi conferir "Macumba Sexual", um dos 13 (!!!) filmes que Jesus Franco (assinando como Jess Franco) fez em 1983. É um interessante exercício de mistura de sonho e realidade, com apenas um fiapo de história: Franco prefere criar climas com a trilha sonora, as paisagens do deserto (e algumas construções arquitetônicas bem interessantes e exóticas) e com os corpos nus do elenco _com Lina Romay (também assistente de direção, sob pseudônimo, e mulher do diretor) à frente (e de costas e de tudo quanto é lado). Há um plano fabuloso: vemos na areia dois objetos que parecem lápides; de repente, uma mão gigantesca invade a tela e as pega (na verdade, eram pequenas estatuetas!).

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    De volta a este estranho ano de 2007: "Cartola: Música para os Olhos" é um bom documentário (de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda _este último esteve na sessão para debate e foi muito simpático) não apenas sobre o querido sambista, mas sobre o século XX. Vasto e rico material de arquivo garante sim informações mais do que suficientes para a biografia _a forma não briga com o conteúdo, diferentemente do que muita gente disse. E a primeira metade de "The Simpsons Movie", de David Silverman, é excelente; a segunda cai bastante, mas não deixa de ser boa. Os Simpsons ainda não envelheceram totalmente, mas não causam o frisson de antes justamente porque eles mudaram muita coisa e abriram espaço para as séries animadas politicamente incorretas, como "Beavis and Butt-Head", "South Park" e "Family Guy", entre outras. Mas não deixa de ser admirável a série estar no ar há quase 20 anos.

    Deste ano também é a série "The Tudors", que acabou de estrear aqui na TV a cabo: o que impressiona mais não é a razoável riqueza da reconstituição de época (historicamente, com certeza há muitos furos, mas estão lá Henrique VIII, Thomas Morus, Catarina de Aragão, Ana Bolena e outras figuras manjadas), mas o alto nível de erotismo (muito, mas muito sexo mesmo, para os padrões televisivos _e "Roma", que estou vendo no momento, é ainda mais ousada). Um episódio em especial, o da peste, me deu mais sustos do que todos os filmes de terror que vi nos últimos dez anos; era impressionante, um atrás do outro, mal dava para recuperar o fôlego e acalmar os batimentos cardíacos. Já a outra série vista neste ínterim, "Taken" (aparentemente produzida por Steven Spielberg como aquecimento para "Guerra dos Mundos" _Dakota Fanning está lá), sobre três gerações de três famílias (é meio confuso, mesmo) envolvidas com extraterrestres. É bem a cara do Spielba _bem, do pior dele: musiquinha vagabunda criando um climinha, câmeras rodando à toa em torno das personagens, textos boboquinhas na voz de uma criança, um chororô da mulherada... Fica mais divertido a partir do segundo episódio, mas a conclusão é meio broxante.

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    É claro que estou esquecendo muita coisa, mas pelo menos quero registrar aqui os meus parabéns pelo primeiro aniversário da Zingu!, que traz uma entrevista com o inigualável Sady Baby (também recomendo o belíssimo texto de Andrea Ormond, embora a edição toda mereça ser lida), e de recomendar o disco "Carnival Nights", do Black Barn Music, projeto do talentoso André ZP. Outra coisa: fantástico o debate ocorrido na Cinética a respeito de um curta-metragem brasileiro e recente; seria maravilhoso se iniciativas como esta (um grupo de críticos debatendo com um cineasta) se repetissem com mais freqüência. Eu adoraria que "A Volta do Regresso" ou qualquer outro meu passasse pelo mesmo escrutínio.

    Na platéia