Coisas que Você Pode Dizer Só de Olhar para Ela
Eu queria ver "Amores Perros", mas o jantar (bastante agradável, por sinal _destaque para as empadinhas de alho-poró), em pleno sábado de feriado em um restaurante bem legal, aliás, atrasou (eu gosto de comer bem devagar), aí tivemos (ah, eu estava acompanhado de uma donzela benfazeja e generosa...) de ir ver filme de mulézinha, mesmo.
O diacho era o filme passar no Belas Artes, onde as cadeiras conseguem ser ainda mais desconfortáveis e ameaçadoras à saúde do que as do teatro do Sesc Pompéia! R$ 8 em troca de péssimas cadeiras e som vagabundo! Cáspite, biltre vilão! E eu ainda levei uma bronca da minha querida acompanhante, que pediu para eu comprar um doce enquanto ela ia ao banheiro e, ao se deparar com um Tic Tac laranja, exclamou: "Isso não é doce, é azedo! Arrrgh!!!". #$%¨&@*!, digo eu.
Mas, então, o filme com esse nomão imenso é escrito e dirigido pelo filho do García Marquez, que já deu aula de roteiro em Cuba. E daí, bela bosta. Deve ser a coisa mais horrível do mundo, guardadas as devidas proporções, ser filho de artista famoso e respeitado. Ora, que o digam infelizes como o Sean Lennon e o Jakob Dylan...
Mas o filme não é ruim, não, OK. Engraçado é que ele poderia ser definido como uma espécie de "Pulp Fiction" frufru, porque usa o mesmo esquema de histórias paralelas, com personagens que se cruzam... Esse tipo de filme costuma ter o roteiro elogiado, blablablá. Bom, eu não engulo mais essa, baby. Ou a história é boa ou nada feito.
E aí o filme se mostra desigual em algumas partes, que só são melhor amarradas no final (obviamente, não posso me aprofundar sem contar o final do filme, então shhhh...). A história com a Glenn Close (coitada, ficou marcada como a baranga psycho que dava para o Maicou Douglas _ô nominho de office-boy_ em "Atração Fatal") é fraca, e a que enfoca Holly Hunter (em boa atuação) tem uma personagem importante muito mal resolvida, a da mendiga.
Melhores são as que trazem Cameron Diaz como a cega que descola namorados, enquanto a irmã detetive fica na mão (putz, não posso contar o que acontece com ela no final, mas a mulherada da platéia ficou com nojinho, hahaha), a de Calista Flockheart (a cara dela é MESMO esquisita!) que vê a namorada agonizar, e a da mulher que adora cheirar a boca do filho adolescente (só podia ser coisa de mãe mesmo) se apaixona por aquele anão que é o amigo safado do Kramer em "Seinfeld" (!!!). Sensacional, essa última, hahaha, é de longe a melhor.
Ou seja, banalzinho, mas um tico acima da média. Tem gente que vai achar lindo, de alta classe, "poético", urgh. Problema deles, eu sou muito mais o "Monsieur Verdoux", do meu bróda Charlie Chaplin.
Ah, a bela que recostava a cabeça em meu ombro durante o filme fungava, e eu pensei que ela tivesse pego um resfriado. Pois ela estava chorando com a história da Calista (nanssa, que nome mais ortopédico), e eu, com a minha sensibilidade de um hipopótamo em delirium tremens, fui incapaz de perceber, já que não estava olhando para ela (awww, shit, esse trocadilho fica bem melhor em inglês)... Mas o nosso final foi feliz, oooh yes.
Nota: 6,5/10