A gruta é mais extensa do que a gruta

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    Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

    Ando tão ocupado que mal me dou conta da época do ano em que estamos _só quando a TV, que só fica ligada aqui ao meu lado no trabalho, me mostra coisas como Big Brother ou Globeleza eu me dou conta de que estamos em janeiro. E não é que o "ano da crise" (da qual espero escapar minimamente _so far so good... so what?) começou com notícia boa? Fui contatado pelo Canal Brasil, que tem interesse em "A Volta do Regresso" (um contrato de até 24 exibições em três anos). Como já passou mais de um ano desde a estreia no Festival de Brasília, está na hora de o danado passar na TV (a TV Câmara é outra que se interessou, mas ainda não o liberei), antes de finalmente chegar à internet, onde de fato poderá ser visto por um número maior de pessoas, embora em péssimas condições. O filme é antiquíssimo na minha memória, mas ainda não me afastei dele o suficiente para formar um juízo que me permita uma visão mais clara dos meus (os dos outros são mais fáceis de apontar) erros _para isto eu conto com a opinião dos colegas que porventura cruzarem com ele (a do Vebis não vale, porque ele gosta muito mais do filme do que eu).

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    Obama assumiu (não nesse sentido que vocês estão pensando) e o mundo quer que esse pedaço de história chamado de "Era Bush" fique para trás logo. Pelo menos dois filmes recentes bateram forte nessa e em outras teclas: um é "Diário dos Mortos", no qual Romero volta muito mais pessimista do que no emocionante e esperançoso "Terra dos Mortos" a ponto de fazer uma ponte com o seu primeiro longa de zumbis. Algumas das ideias que o diretor martela é a de que o excesso de informação na era da internet é, no mínimo, uma faca de dois gumes (se bem me lembro, uma das falas é algo como "400 blogs, 400 mentiras") e de que a tecnologia abundante e barata provoca uma febre pelo registro ("se não acontece em frente às câmeras, não aconteceu", diz a protagonista mais de uma vez), além da capacidade para a maldade, a estupidez e o egoísmo desenfreado naturais ao ser humano. O curioso é que essa ideia de exibir um filme dentro de um filme (tirada do grande "A Bruxa de Blair") desta vez escancarou o artificialismo da representação, em vez de mascará-la _não que o filme seja ruim por causa disso; é mais um testemunho importante sobre o mundo em que vivemos, e Romero se firma ainda mais como um dos artistas mais engajados do nosso tempo. O outro é "Children of Men", de Alfonso Cuarón: um "retrato do presente no futuro" (como "Laranja Mecânica" ou "Os 12 Macacos") muito detalhado, centrando bastante na obscuridade que assola a humanidade neste momento (entre as mazelas, o fanatismo religioso, guerras movidas por ódio e intolerância, o sentimento de fim das utopias, etc.). Com ironia, traz algumas cenas soberbas, como a inacreditável fuga em um carro que se recusa a pegar. O grande uso de efeitos visuais é discreto e cria outras cenas memoráveis, como a do ataque ao carro (que dá um belo susto) e a do parto. Cuarón conseguiu erigir um universo simbólico bastante rico; deve envelhecer logo (certamente muito mais do que o filme de Romero) e se tornar documento.

    Bem pior é o "United 93" do Paul Greengrass, que reconstrói, em tempo real e usando várias pessoas interpretando a si mesmas, parte dos eventos daquela maldita manhã de 11/09/01. Por um lado, acertadamente faz um filme despretensioso e sem apelações; por outro, não diz muito a que veio, a não ser prestar tributo àquelas pessoas que perderam a vida na tragédia _o que ajuda a não colar a este filme a pecha de meramente oportunista. E o feriado natalino serviu também para ver a trilogia dedicada a Jason Bourne, personagem criada pelo escritor Robert Ludlum (quem leu diz que essas adaptações são bem distantes dos originais) que já havia sido encarnada nos anos 80 pelo Richard Chamberlain. O primeiro filme, o único que havia visto (e no qual Julia Stiles, em um papel pequeno, chuta a bunda de Franka Potente), é disparado o melhor, e o segundo, o pior (extremamente derivativo); o terceiro traz as cenas de ação mais intensas. E o que dizer do infantil "Transformers"? Além do colírio Megan Fox, só dá mesmo para destacar John Turturro, a quem muito provavelmente o diretor Michael Bay não conseguiu controlar: sua total falta de seriedade no papel é muito adequada, parefe que o ator está se divertindo muito com toda aquela bobajada.

    Finalmente vi "The Darjeeling Limited", outro belo filme de Wes Anderson, embora não seja o seu melhor. Mais uma vez temos relações familiares extremamente bem construídas em um roteiro idem. Mas se os planos em câmera lenta com clássicos do rock não cansam nunca, seus movimentos de câmera estão já bastante repetitivos. Como parece que o próximo filme dele será uma animação, espero que seja uma bem-vinda mudança. E "Senhores do Crime", embora não tão bom quanto "A History of Violence", traz outra fantástica atuação de Viggo Mortensen, em que um outro novamente habita a personagem. Cronenberg, ao contrário de uma possível maioria de diretores "respeitados", escolhe sempre mostrar o que o "bom tom" recomendaria esconder _é desagradável, mas sua assinatura é fortíssima _e ele parece saber que, como suas personagens, alguém tem de fazer o trabalho sujo.

    E "I'm Not There" deixa bem óbvio que foi inspirado por "No Direction Home", do qual várias cenas (por suas vez extraídas de filmes de D. A. Pennebaker e outros) documentais são reconstruídas por Cate Blanchett (numa atuação não tão boa quanto eu esperava) e Christian Bale (surpreendentemente bem). Muito mais interessantes são as partes em que a fantasia tem mais espaço, mas ainda apoiando-se em personagens reais, como Woody Guthrie, Arthur Rimbaud (outra atuação de destaque, de Ben Whishaw) e Billy the Kid. Há algo de "metido a besta" no projeto que o prejudica em certos momentos (além de sua pouca concisão), mas ao final, assim como o filme de Scorsese, passa uma sensação de amor pela obra do artista homenageado. E já que falamos no baixinho, impressiona em "Shine a Light" a captação de som do show dos Rolling Stones: como o som do instrumento de quem está em quadro tem sempre maior volume do que o resto da banda, funciona para delinear bem "quem faz o quê". A impressão que tive é de que é o show em que eles tocam melhor (sendo que a maior justiça é feita à guitarra de Ronnie Wood, que diz em entrevista que é melhor do que o Keef), de todos os que vi, mas creio que grande parte disso se deva a essa qualidade sonora. O show é bastante típico dos Stones, com aquelas cinco músicas que eles sempre tocam, a pausa para Richards cantar duas outras (normalmente um ponto morno do show, aqui tornou-se ponto alto), antes de Jagger voltar para "Sympathy...", um blues antigo desenterrado (com um excelente Buddy Guy) e curiosidades do vasto repertório (Hã? "She Was Hot"?). Diferentemente do esperado, Christina Aguillera mandou bem, enquanto Jack White foi constrangedor _assim como Scorsese, que desta vez não fez um trabalho tão bom interpretando a si mesmo.

    E já que estamos nos EUA de hoje, vamos desovar logo as séries vistas também no feriado: a segunda temporada de "Heroes", mesmo com apenas 11 episódios por causa da greve de roteiristas, gira em falso e dá óbvios sinais de desgaste. A estratégia para manter a qualidade da primeira leva infelizmente é a do repeteco: e dá-lhe outro futuro sombrio a ser evitado, mais pinturas que mostram esse possível futuro, etc. Nem todas as personagens progridem, indicando que o ciclo delas na série já acabou, ou seja, é preciso saber a hora de parar. Outra caixa vista é a da recente sitcom "The Big Bang Theory", cuja graça em grande parte está em reconhecer a nerdice dos personagens como algo muitíssimo comum na atualidade. E a versão americana da tão falada "The Office" finalmente passou em minha frente: é um humor baseado quase que somente no constrangimento (o protagonista de Steve Carell é detestável), o que a torna ao mesmo tempo engraçada e desagradável, embora esses primeiros seis episódios já mostram com clareza pelo menos uma subtrama folhetinesca. A câmera é absolutamente nojenta, porque há um documentário sendo feito sobre o tal escritório, o que cria uma camada de hipocrisia nas personagens que também serve de apoio para o humor.

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    Demorou para chegarmos às velharias que não interessam a quase ninguém (embora os filmes do "especial terror", mais em baixo, devam ter seus fãs). Depois de muito tempo volto a um dos meus ídolos, Buñuel, com "Simão do Deserto", projeto que sofreu com falta de dinheiro e teve de ser reduzido. É o terceiro e último filme do diretor com Silvia Pinal (sexy como o Diabo), com um Claudio Brook (de "O Castelo da Pureza") excelente, assim como a música da cena final (sempre forte, praxe do diretor), com o grupo Los Sinners. Outro dos melhores filmes desse intervalo foi o tcheco "Sedmikrásky" (parece que a tradução do texto é "Margaridas"), de Vera Chytilová, ao mesmo tempo extremamente divertido e sério (e lindo, repleto de efeitos visuais impressionantes). As atrizes Ivana Karbanová e Jitka Cerhová (que aparentemente não tiveram longas carreiras no cinema) estão em estado de graça. Parece uma obra que só poderia surgir numa sociedade repressiva.

    "Flor Pálida", de Masahiro Shinoda, que, apesar de contemporâneo, num mundo que já corria a caminho da globalização, ainda nos surpreende com uma cultura alienígena: eu mesmo não entendi quase nada do estranho jogo de cartas (muito menos o motivo de os crupiês terem de ficar repetindo as orientações numa fascinante ladainha). Já o drama do casal protagonista é bastante compreensível e tocante. Há cenas antológicas, entre elas a do pesadelo e a do assassinato ao som de uma belíssima ária. Ainda no Japão, "Mulher Inseto" acompanha a vida de uma personagem do seu nascimento à meia-idade, da infância pobre na roça à queda e ascensão e novamente queda na prostituição, na qual será ironicamente seguida por sua filha. Imamura (ex-assistente de Ozu) faz uso constante de frames congelados sobre os quais dispõe pensamentos das personagens, que servem de guia à narrativa acelerada. É cruel justamente por ser tão naturalista e tão afastado do melodrama. E "Le Mystère Koumiko" seria uma espécie de preparação para o "Sans Soleil"? Neste média, Marker parte das Olimpíadas de Tóquio, em 1964, para chegar a uma jovem chinesa que mora no Japão desde os 10 anos e estuda numa escola franco-japonesa. A partir de entrevistas com Koumiko, o diretor dá vazão a algumas de suas famosas obsessões, como o Japão e os gatos _e não se furta a encarar aspectos menos glamourosos da sociedade japonesa, como o sadismo.

    Vendo "La Baie des Anges", estava estranhando este filme de Demy pela falta de uma forte personagem feminina, até que finalmente Jeanne Moreau entra em cena, quase irreconhecível com o cabelo platinado _parecendo mais velha, mais feia, mais sofrida e mais vagabunda. É dela a personagem que o filme circunda, embora não seja a protagonista, e é dela a grande cena, na qual explica porque o jogo é sua religião e porque ao adentrar um cassino ela sente a mesma emoção que em uma igreja. O final, forçado e inesperado, não combina com o diretor _mas os marinheiros ainda estão aqui. O tema de Michel Legrand é fantástico. Mas em "La Noire de...", média-metragem do senegalês Ousmane Sembene, traz como protagonista uma personagem que encarna uma etnia, uma nacionalidade, um sexo e uma posição social. E "What Ever Happened to Baby Jane?" (talvez o segundo melhor Aldrich, atrás apenas de "Kiss Me Deadly"?) é bem perturbador, com o duelo de duas grandes atrizes, ambas já caminhando para os 60 anos de idade. Talvez seja injusto dizer que Bette Davis saiu ganhando, pois sua personagem é a mais interessante e a que conduz a ação (além dela e de Joan Crawford, há outra atriz brilhante, a pequena Gina Gillespie, infelizmente em um de seus últimos trabalhos). É um primor de suspense e de tensão, antecipando quase sempre o que vai acontecer a seguir _o que não deixa de ser uma espécie de sadismo. Uma atriz mirim também se destaca em "A High Wind in Jamaica", penúltimo filme de Alexander Mackendrick: é Deborah Baxter, então com 11 anos, que, apesar deste papel inesquecível, não teve grande carreira como atriz. O filme é uma invulgar história de piratas (representados por ótimos Anthony Quinn e James Coburn) com crianças (uma delas é o escritor Martin Amis!) e um enredo bastante cruel. Há um quê de antiquado e uma trilha sonora exagerada, mas também uma grande fala de Quinn: "Você deve ser culpado de alguma coisa...".

    E antes de encarar o terror, mais dois exemplos de filmes que hoje soam típicos dos anos 60: em "Charade", Stanley Donen deixa a seara musical e faz uma intrigante e sem-vergonha mistura de thriller com comédia romântica que idealmente defenestra toda verossimilhança (a princípio parece bastante destrambelhada mas ao final o roteiro é adoravelmente bem amarrado). Apesar da diferença de idade, Cary Grant e Audrey Hepburn (belíssima, usando uns figurinos maravilhosos _fica fácil de entender porque ela foi votada no Reino Unido como a mais bela do cinema, deixando a Angelina Jolie em segundo) fazem um ótimo casal _os momentos graciosos não faltam, como a careta que Grant faz quando a verdadeira identidade de sua personagem é revelada. Walther Matthau, James Coburn, George Kennedy e Jacques Marin são os coadjuvantes. Mas o filme é mais famoso mesmo pelo inesquecível tema musical de Henry Mancini. E se em "No Direction Home" a rápida e caricata aparição dos Beatles pode até parecer ofensiva, "Help!" nos ajuda a lembrar que os Fab Four da fase terninho eram mesmo quatro cabeludos esquisitos que saíam pulando por aí murmurando interjeições. O filme é uma pérola do humor inglês, satirizando 007 com cenários (o que é aquele apartamento deles, com uma porta de cada cor para cada um e um quarto cavado no chão para Lennon?), locações (dos Alpes para as Bahamas), enredo e diálogos nonsense. Várias gags são fantásticas, como a do gongo em miniatura e a do tigre que fica manso quando se assobia a Nona de Beethoven. Mas é bem pior do que "A Hard Day's Night".

    E ainda um rubi: "9 Dney Odnogo Goda", de Mikhail Romm, cujo título em português desconheço (aparentemente a tradução seria algo como "Nove Dias em um Ano"). É ótimo, com um protagonista muito especial: um físico nuclear que faz uma importante descoberta mas paga um preço alto por ela, ao mesmo tempo em que vemos um triângulo amoroso se desenrolar. Além disso, o ambiente e a época em que se passa dão à obra dimensão maior: fomos tão aculturados pela visão norte-americana da Guerra Fria que é quase um choque vermos uma representação da vida russa no período (se verdadeira ou não são outros quinhentos rublos) com as pessoas trabalhando, se divertindo, casando, visitando a família, etc. Por um acaso os EUA da época admitiram tal retrado da vida no "Império do Mal" em seu cinema? Já imaginaram um mundo com 3 bilhões de Gusevs, negros, amarelos, brancos?

    E já vou logo dizendo que acho uma bobagem tremenda essa ideia papagaiada displicentemente por aí de que "sugerir é melhor do que mostrar". É claro que depende, gafanhoto. Em "The Haunting" ("Desafio ao Além" por aqui), que Robert Wise fez entre "Dois na Gangorra" e "A Noviça Rebelde", a estratégia oposta à de Cronenberg funcionou. Este filme de "mansão mal-assombrada" (com um início sensacional), apesar de não ser nenhuma maravilha, consegue criar uma dubiedade verossímil. Julie Harris é uma protagonista fraquíssima e é eclipsada pela mais bela e interessante Claire Bloom. "Paranoiac", o primeiro filme que Freddie Francis dirigiu para a Hammer (sem ser um típico exemplar da companhia), deixa maiores sutilezas de lado e traz uma história rocambolesca e exagerada, mas eficaz _muito provavelmente foi inspirado por "Psicose". A imensa presença de Oliver Reed é o natural destaque. E não sei de dá para chamar "Incubus" (que, eu não sabia, já tinha passado numa saudosa Sessão do Comodoro) de um filme de terror: um dos pouquíssimos dirigidos pelo roteirista e produtor Leslie Stevens, é mais conhecido por ser talvez o único filme norte-americano falado em esperanto. A temática é bastante cristã: demônios lutam para conseguir a alma de um homem justo e religioso. A estrela é William Shatner, mas quem se destaca são Allyson Ames (mulher do diretor) e dois atores que se suicidaram no ano seguinte ao lançamento (mas não juntos), a bela Ann Atmar e Milos Milos (que, além de ser a personagem-título, tem um nomes mais legais da história). É um dos primeiros filmes que o grande Conrad Hall fotografou, mas aqui ele ainda não apresenta um trabalho de mestre.

    Mas a obra-prima desse gênero vista por aqui é "I Tre Volti della Paura", que em inglês ganhou o picareta título "Black Sabbath": Bava demonstra mais uma vez que, além de um mestre da luz, também o é no quesito movimento de câmera (como Öphuls, Fuller, Ozu, Tarkovsky, Oliveira e outros pouquíssimos). E também um mestre do suspense: as três histórias deste filme são extremamente previsíveis, mas nem por isso deixam de ser envolventes e fascinantes. E aquele epílogo lindo e alegre, com Karloff celebrando a fantasia do cinema... Longe de ser tão bom é "X", aqui chamado de "O Homem dos Olhos de Raio-X" (que virou música de, argh, Lenine), mais um clássico de Corman, estrelado por um ótimo Ray Milland. Começa muito bem, mas descamba a partir do início da desgraça do protagonista. O final, embora dificilmente pudesse ser outro (a não ser pela famosa história, desmentida pelo diretor, de que havia uma fala a mais, ótima, terrível e infelizmente não filmada) é extremamente abrupto. Os efeitos visuais, assim como no filme da Chytilová, são ótimos. E a tranqueira da vez é "Blood Feast", o famoso precursor do "gore": digamos que eu gosto de "bons filmes ruins", como o "Glen or Glenda?" de Ed Wood. Mas este aqui, assim como o "Mondo Trasho" de John Waters, tem o defeito mortal de não ser divertido (embora haja uma ou duas falas engraçadas). Não dá para comentar as atuações porque simplesmente não há atores no filme; enquadramentos, cortes, diálogos, ritmo, tudo é horrível. Salvam-se mesmo a trilha sonora, de autoria do fotógrafo e diretor Herschell Gordon Lewis, e a maquiagem.

    E só para constar, caso alguém queira comentar algo, os outros filmes vistos no período: "O Dólar Furado", western spaghetti com Giuliano Gemma (assinando como Montgomery Wood) de Giorgio Ferroni; "Inauguration of the Pleasure Dome", de Kenneth Anger, com participação especial da Anaïs Nin; "The Miracle Worker", o segundo filme do Arthur Penn, com Anne Bancroft e Patty Duke; "Made in U.S.A.", um Godard menor, embora típico (curiosamente, é o primeiro filme a ter uma música dos Rolling Stones na trilha sonora _uma moça volta e meia aparece cantando "As Tears Go By", e só depois fiquei sabendo que se tratava de Marianne Faithfull); "Vaghe Stelle dell'Orsa...", um Visconti pequeno após o monumental "O Leopardo" com uma Claudia Cardinale que não precisa ficar nua para ser sexy; "When We Were Kings", famoso documentário de Leon Gast sobre a "Rumble in the Jungle", no qual nos identificamos bem mais com o futuro homem da grelha elétrica, e não por pena; e "The Bridge", documentário não tão famoso sobre aquela ponte que um dia já foi enquadrada pela minha janela e que, isso eu não sabia, é o local de onde mais gente se suicida no mundo (como fui muito feliz no meu período por lá... ainda estou aqui).

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    Trecho da entrevista de Felipe Bragança com Miguel Gomes (diretor do elogiado "Aquele Querido Mês de Agosto") publicado na Cinética:

    "Eu e o montador chamávamos a roteirista para a montagem e, ao invés, chamávamos o montador para a reescrita do roteiro. Tentávamos arranjar uma série de rimas entre tudo. Montagem e roteiro já não eram fases distintas."

    Nunca achei que montagem e roteiro fossem fases distintas (pelo menos em "A Volta do Regresso" não foram). Este é um dos poucos filmes unânimes que tenho vontade de ver (estou só aguardando que um santo fale muito mal para essa vontade se multiplicar por mil).

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    Há alguns dias, tive de apurar (sucursal do Rio não conseguia e os repórteres que normalmente teriam de fazer isso viajavam) a morte do crítico Antonio Moniz Vianna. Consegui o contato da família graças ao Evaldo Mocarzel (a quem agradeço). Não havia muito espaço para o texto, mas demos conta do recado. Dois dias depois, a Folha acorda e também publica a notícia... num flagrante exemplar de jornalismo "copy-and-paste"! Na minha época não era assim...

    No texto que vem: "Emoções Sexuais de um Jegue" e outros filmes.

    Na platéia